James Derulo's

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Experiência visceral nas alturas

2 comments

Foi neste último sábado. Depois de quase um mês de uma mistura de veranico com primavera, o frio chegou de sola nos gaúchos. E neste dia, dezenas de corajosos de plantão subiram no terraço do Edifício Málaga (10º ou 11º andar, não tenho certeza) pra viver uma experiência que, graças ao frio e ao vento forte, acabou se tornando visceral. Nada que um vinho não resolvesse, até porque a cerveja que tinha a disposição teve pouca saída. E a noite foi chegando e a iluminação de Mirco Zanini deu o ar da sua graça. Mas além disso, a música da banda Farveste ecoou do alto do edifício e embalou o pessoal que, já embalado pelo vento, curtia a paisagem e os vídeos do Laboratório Experimental sendo projetados na fachada do prédio ao lado. A composição de janelas, vídeos minimalistas e imagens dos rapazes executando um rock'n'roll etéreo logo ali atrás criou uma atmosfera surreal. O frio e vento serviram para lembrar que estavam todos vivos e praticamente congelados!

>> para entender melhor, se é que isso é necessário, abaixo o convite enviado antes do acontecimento.

Alturas Intervenção audiovisual
Ao pôr-do-sol, no topo de um dos edifícios mais altos do bairro Independência, uma banda toca rock instrumental para toda a vizinhança ouvir. Na parede do prédio vizinho, um grupo de artistas projeta vídeo-arte e imagens ao vivo para toda a vizinhança ver. Essa é a inusitada idéia por trás do evento ALTURAS intervenção audiovisual.
Trata-se de uma parceria entre a banda Farveste, o Laboratório Experimental e o iluminador de teatro Mirco Zanini. A função começa pontualmente às 17h do dia 29 de julho (sábado), no terraço do prédio número 1450 da rua Ramiro Barcelos.
A Farveste foi formada em 2004 por Mateus d'Almeida, Túlio Pinto, Renan Stiegemeier e Leandro Pereira. O pós-rock do grupo combina passagens etéreas e suaves com momentos de explosão de guitarras distorcidas. Sem letras, as canções são como quadros de arte moderna, permitindo a cada ouvinte a interpretação que lhe convir. Foi justamente esse caráter "trilha sonora" da música da Farveste que serviu de faísca na concepção deste acontecimento. A proposta é oferecer, por alguns momentos, um fundo musical para o cotidiano do bairro.
Para complementar esta experimentação, Marcelo Gobatto e Juliano Ambrosini, do Laboratório Experimental, farão projeções de vídeo e algumas intervenções imagéticas, com a colaboração de Mirco Zanini. Através de edição em tempo real, eles mesclarão imagens do show com outras improvisações visuais.
Os interessados em testemunhar tudo isso de perto – e ainda desfrutar da bela vista lá de cima – não pagam absolutamente nada, mas devem enviar nome completo para
farveste@gmail.com, para controle de lotação. Haverá bebida à venda no local.

2 comentários:

Manoel Canepa disse...

bem urbano!!!!!
bem rock!!!!!
bem alto!!!!!
bem transe!!!!!
bem frio.....

belo ritual de celebração
ao retorno do inverno gaúcho...

Alice D. Trusz disse...

Sim, eu estive lá. Embora tivesse levado traje de inverno completo, com direito a chapéu, luvas e manta, foi o vinho que algumas santas almas me ofereceram que evitou o esfriamento geral. Afinal, estávamos no alto de um edífício no alto da Ramiro de frente e de costas para um vento polar uruguaio no sábado mais frio do ano (por enquanto...)! Mas o conforto também veio do som que os guris tocaram. E da idéia de ouvir boa música e assistir a vídeos experimentais projetados no edifício vizinho assim que a noite desceu sobre Porto Alegre. E que Porto Alegre! E que lua! E que sensação boa a de pertencer a um mundo onde as idéias fervilham e frutificam. Tão longe e tão perto da capital do RS. Foi uma pequena, solitária, mas grata iniciativa essa de dividir "arte bastarda" e belas "trilhas sonoras" com aqueles ávidos por cultura e, neste caso em especial, heróis da resistência climática, que não se furtaram em dar a cara (as orelhas e tudo o mais) a bater pelo vento e pelo frio, desde que olhos e ouvidos pudessem se deliciar com a sonoridade e as imagens se espalhando pelas ALTURAS...Quando será a próxima festa no céu?

(Alice D. Trusz)